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Wednesday, Feb 22nd
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VIIº Comum B – Fé, humilde, valentia e criatividade
Neste domingo escutámos no Evangelho um relato curioso. Quatro homens sobem a um telhado… carregando um paralítico para que este, chegando junto de Jesus pudesse ser curado.
Contexto: Voltamos a Cafarnaum, a cidade situada na margem do Lago de Tiberíades. Entramos, numa secção do Evangelho de Marcos onde os gestos de Jesus já não provocam apenas assombro e admiração, mas também repulsa e conflito com as autoridades do tempo. Começa a desenhar-se o conflito decisivo que vai levar Jesus à cruz.
Jesus Cura o paralítico e mostra assim que é “medico verdadeiro” do corpo (físico) e da alma porque perdoa os pecados…
1. Quem são os actores?
Um paralítico e quatro voluntários, Jesus, alguns escribas e a multidão.
a) “um paralítico transportado por quatro homens”. O paralítico, personagem anónimo e sem voz, é o protótipo da invalidez, do homem que não pode mover-se por si mesmo e que não tem liberdade de acção.
b) Desde que entram em cena, o paralítico e os que o transportam apresentam-se como uma equipa inseparável, como peças de uma única máquina. Os que transportam o paralítico, têm como único traço característico serem “quatro”. Este dado, à primeira vista supérfluo, é importante: o “quatro” é um número carregado de simbolismo, que representa os quatro pontos cardeais e, em consequência, o mundo e a humanidade inteira.
É uma humanidade passiva e marcada por um mal que lhe rouba a vida e que lhe impede a liberdade (paralítico); e é uma humanidade activa, que não se conforma com o mal que a impede de ser livre e que busca ansiosamente a salvação (os quatro que transportam o paralítico).
c) Jesus: Procurado, contestado e admirado!
d) Alguns escribas: contestam a autoridade de Jesus para perdoar os pecados;
e) A multidão: ora impede o acesso a Jesus, ora o admira e louva.
2. O que é que impressiona Jesus?
A fé daquela gente.
Quatro homens, quatro atitudes: fé, humildade, valentia e criatividade? Que mais me surpreende?
Precisamos de um pouco de tudo.
1- Precisamos de fé. Como aqueles Homens acreditamos que Deus tudo pode e por isso Jesus pode curar mesmo. Precisamos de fé verdadeira que há de dar a confiança suficiente para vencer as inquietações e dificuldades que possam ir surgindo no nosso caminho. Precisamos ter fé verdadeira para continuar sempre a esperar por dias melhores e para confiar sempre que Jesus tudo pode fazer curar.
2- Precisamos de humildade. Como aqueles Homens que vencendo a oposição da multidão que bloqueava o acesso a Jesus eles foram humildes e sem pedir nada (sem dizerem uma única palavra) continuam a procurar a salvação de Jesus. A cura daquele doente.
Ontem como hoje a multidão continua a impedir o acesso a Jesus. Parece que falar de Jesus é algo errado e não pode estar disponível a todos. Parece que a multidão continua ainda hoje a impedir o acesso de todos a Jesus condenando a mensagem de Jesus ao silencio ou quando muito reservada apenas a alguns.
3- Precisamos de valentia. Aqueles homens perante as dificuldades foram valentes e subiram ao telhado. Sem medo tudo fizeram para livrar da doença o amigo que transportavam. Cada vez mais precisamos de ser valentes! A vida é muito dura para quem é mole…Temos de ser audazes, lutadores e nunca desistir de buscar o melhor possível.
4- Precisamos de criatividade. Não lembraria a ninguém subir ao telhado e descer depois o doente para o meio da casa junto de Jesus. Precisamos de rasgos de criatividade para que a fé se continue a apresentar como novidade eterna. Precisamos na Igreja e na vida social de pessoas que sejam capazes de transmitir renovada alegria com gestos novos e motivadores para que continuemos a acreditar em dias melhores e mais solidários.
A vida é fugaz e breve. Recebemo-la como dom divino que agora temos de administrar. Deve a vida medir-se não pelos anos que passam mas pela intensidade com que se partilha este tempo que Deus por amor nos quis dar. A vida vale de certo pelos gestos de fé, humildade, valentia e criatividade. A vida vale pela confiança (fé) que depositamos em Deus e uns nos outros… pela humildade com que nos relacionamos uns com os outros, pela valentia com que enfrentamos as dificuldades e ajudamos os irmãos a vencer as suas dificuldades e pela criatividade, pela busca de novidade que a vida terá de constantemente proporcionar-nos.
Venho por este meio apresentar oficialmente o meu pedido de demissão da categoria dos adultos.
Resolvi que quero voltar a ter as mesmas ideias e possibilidades de uma criança de oito anos no máximo… quero acreditar que o mundo é justo e que todas as pessoas são honestas e boas.
Quero acreditar que tudo é possível. Quero que as complexidades da vida passem despercebidas por mim porque quero apenas ficar encantado com as pequenas maravilhas deste mundo que acontecem a todos os momentos, todos os dias.
Demito me de adulto porque quero uma vida simples e sem complicações desnecessárias. Cansei me de dias cheios de computadores que falham, montanhas de papelada, noticias sempre deprimentes e alarmistas, contas a pagar, o disse que disse, doenças mas principalmente cansei me de atribuir um valor monetário a tudo o que existe.
Chega de fazer contas para ver se o vencimento chega para todo o mês… quero acreditar que as pastilhas e as gomas são a melhor coisa do mundo e que as moedas de chocolate são melhores que as outras porque se podem comer e ficar com a cara toda lambuzada.
Também não quero dizer adeus às pessoas que me são queridas e que fazem parte da minha vida…. Por isso demito me de ser adulto! Porque quero ter a certeza que Deus está no céu e é Ele que orienta todas as coisas…
Quero deitar pedrinhas na água e dar a volta ao mundo no sonho de um barco de papel… demito-me de adulto porque quero continuar a sonhar.
Quero poder passar as tardes de verão, numa bela praia, construindo castelos na areia e, dividindo-os com os meus amigos.
Quero ficar feliz quando amadurecer o primeiro morango, a primeira maça ou, quando a cerejeira ficar totalmente florida.
Quero que as maiores competições em que eu tenha de entrar sejam um jogo de futebol ou uma corrida ao sprint.
Demito me de ser adulto porque quero voltar ao tempo em que eu aprendia o nome das cores, a tabuada, as cantigas de roda e rezava com os olhos fechados cheio de vontade de ser escutado.
Quero voltar ao tempo em que se era feliz, simplesmente porque se vivia na bendita ignorância de coisas que podiam preocupar ou aborrecer e que isso nada me incomodava porque agora mesmo que saiba muito nunca sei o mínimo suficiente.
Demito me de adulto porque quero poder acreditar no poder dos sorrisos, dos abraços, das palavras gentis e alegres… quero acreditar no poder da verdade, da justiça, da paz, dos sonhos e da imaginação, dos castelos no ar e na areia.
Demito me de adulto porque ser “grande” é chato e eu quero ser feliz porque sei que ser feliz é mais que ter dinheiro ou ter muita influência…