Dia da Freguesia - Reflexão
- Categoria: Capinha
- Publicado em Sábado, 23 Julho 2011 17:07
- António Martins
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Congregamo-nos nesta Igreja, em dia que queremos festivo, para celebrar a eucaristia. A Palavra eucaristia significa acção de graças… é isso que queremos fazer! Acção de graças pela vida que pulsa, pula e avança nesta paróquia e freguesia de Capinha. Fazemos acção de graças por todos aqueles que na vida associativa, cultura, política ou religiosa de forma mais generosa serviram ou servem esta freguesia.
1. Por mais que estudemos dificilmente chegaremos a uma conclusão definitiva a respeito da fundação deste lugar onde temos nós agora o privilégio de viver. De certo que o povoamento desta freguesia ascende a épocas pré romanas, muito antes da fundação da nacionalidade. Disso temos prova nos vestígios de castros e posteriores construções romanas que temos espalhadas na área geográfica desta nossa freguesia.
2. Alguns indícios históricos e também lendários falam-nos de um Senhor de nome Talabo que teria fundado a cidade Romana de Talabara que teria sido a antecedente desta nossa freguesia.
3. Sabemos de concreto e conta-nos a história civil que desde o século XIII existe a Paróquia de Capinha… Sabemos que em Portugal até ao Liberalismo (Sec. XVIII), “freguesia” e “paróquia” são termos sinónimos, não havendo uma estrutura civil separada da estrutura eclesiástica. Nesses tempos, a palavra «freguês» (aglutinação da expressão latina fillius eclesiae, filho da igreja,) servia para designar os paroquianos, que eram, por assim dizer, «fregueses» da Igreja.
4. Só em 23 de Junho de 1916, as paróquias civis passam a designar-se freguesias, fixando-se assim a diferença entre a estrutura civil (freguesia) e a estrutura eclesiástica (paróquia).
5. Hoje queremos celebrar a memória deste povo e todos estes anos de história… Queremos olhar para a nossa identidade e pedir a Deus que abençoe e ajude todos aqueles que são “filhos desta terra”.
6. Lemos as leituras propostas pela Igreja para o dia de amanha (o XVIIº domingo do Tempo Comum). E na primeira leitura encontramos o Rei Salomão a quem saiu o maior de todos os “jackpots”.
7. Deus, em sonhos disse-lhe: “Pede o que quiseres”. Surpreendentemente Salomão não quer acrescentar riqueza à riqueza que já tinha, nem quis acrescentar anos à sua vida… De forma admirável o rei Salomão pede a Deus para ter um coração inteligente – sábio – um coração capaz de governar com justiça o seu povo. Pediu a sabedoria divina para em cada momento ser capaz de discernir sabendo ler os sinais dos tempos.
8. No dia da freguesia peço a Deus isto mesmo. Que dê a todos os que tem responsabilidades sociais, politicas, culturais, associativas ou religiosas o dom da sabedoria para serem capazes de buscar sempre o verdadeiro bem comum.
9. No Evangelho de S. Mateus fala-se da verdadeira alegria. Aquela alegria que até é capaz de nos levar a “vender tudo… deixar tudo” para alcança-la. A verdadeira alegria vale de certo todos os sacrifícios e renúncias. Em tempos socialmente conturbados temos de buscar as fontes da verdadeira alegria. A alegria está na verdade, na serenidade com que se partilha a existência e se confia essa mesma existência a Deus… a alegria está em sermos capazes de estar integrados numa comunidade e nos sentirmos parte co responsável pelo crescimento dessa mesma comunidade.
10. Queremos hoje viver o dia da freguesia e também por afinidade e identidade histórica e cultural o dia da paróquia… Instituições e Identidades distintas mas que buscam a plena realização social, humana, cultural e espiritual das pessoas que por aqui moram. No dia da freguesia celebramos também o dia das instituições associativas desta terra que promovem as pessoas. Na minha opinião este dia, mais do que dia da freguesia, mais do que dia da paroquia ou de algum grupo mais empenhado terá de ser o dia da comunidade. O dia em que buscamos a comunhão (comum união) para que todos os que aqui vivem encontrem sementes da verdadeira sabedoria (a sabedoria que vem de Deus) e por isso mesmo consigamos partilhar a vida uns com os outros em saudável alegria.
11. Procuremos formar sempre verdadeira família e mais que uma freguesia procuremos formar uma comunidade de pessoas atentas umas às outras, solidárias umas com as outras, generosas para que a ninguém falte o essencial para se realizar enquanto pessoa!
12. Numa época social em que se repensam as freguesias interessa ter levar muito a sério que o mais importante são sempre as pessoas. Havendo essa necessidade económica ou social de re organizar a estrutura geográfica das freguesias interessa que o serviço às pessoas não seja esquecido ou subalternizado. Pedimos ao Senhor de todas as coisas para que dê a sua sabedoria a quem tem de governar para que descubram que o interior onde vivemos não pode ser “fechado” por interesses económicos centrais do litoral!
Que Jesus Cristo acolha aqueles que partiram e pertenceram a esta freguesia. Que recompense aqueles que mais se empenharam na identidade cultural, social e religiosa deste povo.








