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VIIº B- Partilha

Categoria: Para cada domingo Publicado em Sábado, 18 Fevereiro 2012 17:53 António Martins
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VIIº Comum B – Fé, humilde, valentia e criatividade

 

 

 

Neste domingo escutámos no Evangelho um relato curioso. Quatro homens sobem a um telhado… carregando um paralítico para que este, chegando junto de Jesus pudesse ser curado.

 

Contexto: Voltamos a Cafarnaum, a cidade situada na margem do Lago de Tiberíades. Entramos, numa secção do Evangelho de Marcos onde os gestos de Jesus já não provocam apenas assombro e admiração, mas também repulsa e conflito com as autoridades do tempo. Começa a desenhar-se o conflito decisivo que vai levar Jesus à cruz.

 

Jesus Cura o paralítico e mostra assim que é “medico verdadeiro” do corpo (físico) e da alma porque perdoa os pecados… 

 

 

 

1.  Quem são os actores?  

 

Um paralítico e quatro voluntários, Jesus, alguns escribas e a multidão.

 

a)   um paralítico transportado por quatro homens”. O paralítico, personagem anónimo e sem voz, é o protótipo da invalidez, do homem que não pode mover-se por si mesmo e que não tem liberdade de acção.

 

b)  Desde que entram em cena, o paralítico e os que o transportam apresentam-se como uma equipa inseparável, como peças de uma única máquina. Os que transportam o paralítico, têm como único traço característico serem “quatro”. Este dado, à primeira vista supérfluo, é importante: o “quatro” é um número carregado de simbolismo, que representa os quatro pontos cardeais e, em consequência, o mundo e a humanidade inteira.

 

É uma humanidade passiva e marcada por um mal que lhe rouba a vida e que lhe impede a liberdade (paralítico); e é uma humanidade activa, que não se conforma com o mal que a impede de ser livre e que busca ansiosamente a salvação (os quatro que transportam o paralítico).

 

c)  Jesus: Procurado, contestado e admirado!

 

d)  Alguns escribas: contestam a autoridade de Jesus para perdoar os pecados;

 

e)  A multidão: ora impede o acesso a Jesus, ora o admira e louva.

 

 

 

2.  O que é que impressiona Jesus?  

 

A fé daquela gente.

 

Quatro homens, quatro atitudes: fé, humildade, valentia e criatividade? Que mais me surpreende?

 

 

Precisamos de um pouco de tudo.

 

1- Precisamos de fé. Como aqueles Homens acreditamos que Deus tudo pode e por isso Jesus pode curar mesmo. Precisamos de fé verdadeira que há de dar a confiança suficiente para vencer as inquietações e dificuldades que possam ir surgindo no nosso caminho. Precisamos ter fé verdadeira para continuar sempre a esperar por dias melhores e para confiar sempre que Jesus tudo pode fazer curar.

 

2- Precisamos de humildade. Como aqueles Homens que vencendo a oposição da multidão que bloqueava o acesso a Jesus eles foram humildes e sem pedir nada (sem dizerem uma única palavra) continuam a procurar a salvação de Jesus. A cura daquele doente.

 

Ontem como hoje a multidão continua a impedir o acesso a Jesus. Parece que falar de Jesus é algo errado e não pode estar disponível a todos. Parece que a multidão continua ainda hoje a impedir o acesso de todos a Jesus condenando a mensagem de Jesus ao silencio ou quando muito reservada apenas a alguns.

 

3- Precisamos de valentia. Aqueles homens perante as dificuldades foram valentes e subiram ao telhado. Sem medo tudo fizeram para livrar da doença o amigo que transportavam. Cada vez mais precisamos de ser valentes! A vida é muito dura para quem é mole…Temos de ser audazes, lutadores e nunca desistir de buscar o melhor possível.

 

4- Precisamos de criatividade. Não lembraria a ninguém subir ao telhado e descer depois o doente para o meio da casa junto de Jesus. Precisamos de rasgos de criatividade para que a fé se continue a apresentar como novidade eterna. Precisamos na Igreja e na vida social de pessoas que sejam capazes de transmitir renovada alegria com gestos novos e motivadores para que continuemos a acreditar em dias melhores e mais solidários.

 

 

A vida é fugaz e breve. Recebemo-la como dom divino que agora temos de administrar. Deve a vida medir-se não pelos anos que passam mas pela intensidade com que se partilha este tempo que Deus por amor nos quis dar. A vida vale de certo pelos gestos de fé, humildade, valentia e criatividade. A vida vale pela confiança (fé) que depositamos em Deus e uns nos outros… pela humildade com que nos relacionamos uns com os outros, pela valentia com que enfrentamos as dificuldades e ajudamos os irmãos a vencer as suas dificuldades e pela criatividade, pela busca de novidade que a vida terá de constantemente proporcionar-nos.

 

Vº Domingo- B- Partilha

Categoria: Para cada domingo Publicado em Sábado, 04 Fevereiro 2012 17:03 António Martins
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V DOMINGO COMUM (Ano B)

1. O enigma do sofrimento humano.
O sofrimento humano é um dos problemas que, mais tem angustiado os homens de todos os tempos. Ao ligarmos o botão do nosso televisor (ao olharmos para o mundo em que vivemos) facilmente descobrimos que, ainda hoje, há muitas pessoas que sofrem.
As desgraças, as calamidades, as injustiças, a exploração económica e sexual, as guerras, as doenças incuráveis... continuam a ser uma realidade.
Com certeza que, cada um de nós, já colocou a si próprio estas e muitas outras perguntas: Porque é que Deus permite o sofrimento, a doença, a guerra? De quem é a culpa? Porque é que os justos e os inocentes sofrem e os maus têm sucesso, aumentam as suas riquezas e gozam de boa saúde?
2. A 1ª Leit. projecta alguma luz sobre este enigma da existência humana. Job, ao princípio, era um homem extraordináriamente rico e feliz que vivia num país longínquo do Oriente; era um homem bom, generoso e fiel ao Senhor, mas, de repente, a desgraça bate à sua porta: perde os filhos e os bens e é atingido por uma doença dolorosa e repu-gnante. Até a mulher sente repugnância em se aproximar dele (Job 1, 1-2, 13). A nossa vida sobre a terra, a semelhança da vida de Job, é muita precária, extremamente breve e fértil em penas e dores. Job sente que o homem é como um escravo obrigado a fazer imensos sacrifícios sem obter qualquer espécie de recompensa; é como um trabalhador que labuta do nascer ao pôr-do-sol, num campo que não é o seu, suportando o calor na expectativa de que chegue a noite (vv.2-3).
Quando pensa na sua vida, sente-se o mais desgraçado dos escravos, o mais infeliz dos trabalhadores; sente que a felicidade é um sonho, uma ilusão vã: "os meus olhos nunca mais verão a felicidade".
3. No Evangelho de hoje, vemos como Jesus enfrenta esta reali-dade. Ele não propõe explicações teológicas, não recorre a raciocínios complicados para explicar os motivos porque há no mundo doenças e sofrimento.
Com a sua intervenção dá-nos uma primeira resposta: o mal existe, mas não é invencível. A culpa do sofrimento e a das doenças não pode ser atribuída a Deus. A única atitude que devemos assumir é colocar-nos ao lado de quem sofre e lutar com todas as forças contra o mal.
Vejamos como é que Jesus faz no Evangelho...

A) O primeiro caso que é apresentado a Jesus é o da sogra de Pedro (vv. 32-34).
• Não sabemos qual é a sua doença, apenas sabemos que está de cama com febre. "Jesus aproxima-se, toma-a pela mão, levanta-a e ela começa a servi-los". Todos os pormenores são importantíssimos: antes de mais, quando Lhe falam da doente, Jesus não se afasta, não foge. Aproxima-se dela. É assim que nós fazemos (em relação aos doentes)? Às vezes, não evitamos encontrar-nos com situações de sofrimento?
• O segundo gesto de Jesus é ainda mais importante: "Ele toma pela mão a sogra de Pedro e levanta-a". Não se trata de um simples pormenor. Este verbo é usado no NT para indicar a "ressurreição". A doente que está na cama, incapaz de se mover, prisioneira da doença, representa todos os que são vítimas do pecado ou escravos de situações desumanas (doença, injustiça, opressão...). Jesus aproxima-se de todas essas pessoas, toma-as pela mão e ressuscita-as para uma vida nova. A tarefa do cristão hoje é repetir os gestos do Mestre: aproximar-se daqueles que não têm força para estar de pé e levantá-los da condição desumana em que se encontram.
• O terceiro pormenor: a mulher curada que se põe a servir a Cristo e os irmãos - é tb significativo. Indica que quem foi curado, quem fez a experiência da libertação, não se pode esquecer do milagre que Deus operou em si, mas deve tornar-se um membro activo da comunidade.

B) A segunda cena apresenta-nos Jesus a curar todo o tipo de doenças (vv. 32-34).
• É necessário compreender bem o significado destas curas. (Não podemos confundir o cristianismo com a uma seita que procura fazer milagres a baixo preço): Se os cristãos rezam só para pedir a Deus curas, um pouco de sorte na vida ou um trabalho bem remunerado estão, de alguma forma, reduzir o cristianismo ao nível dos curandeiros, dos magos e adivinhos…
• Jesus não ensinou aos seus discípulos como se fazem milagres. Nem Ele próprio resolveu todos os problemas dos homens do seu tempo, mas limitou-se a realizar alguns gestos significativos para nos ajudar a compreender que Deus não aceita as situações que causam sofrimento, opressão ou marginalização. Curando os doentes, Jesus mostra tb que, com a Sua vinda, se iniciou um mundo novo donde será banido todo o sofrimento.

O que fazemos nós para colaborar na construção deste mundo novo? Para mudar este mundo, teremos necessidade de realizar prodígios (milagres) ou bastará aderir aos ensinamentos de Jesus?
Procuremos imaginar o que aconteceria se todos os homens aderissem a Cristo: em vez de lutarem, de se odiarem e fazerem guerra, uniriam as suas capacidades e esforços e colocá-los-iam ao serviço do bem e dos irmãos.
Assim, em pouco tempo surgiria um mundo novo e a fome, a doença e o sofrimento começariam a desaparecer.

IIº Domingo Comum B - Partilha

Categoria: Para cada domingo Publicado em Sexta, 13 Janeiro 2012 16:15 António Martins
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Terminamos o tempo do Natal com a celebração de manifestações de Jesus Cristo... encerramos o ciclo anual em que celebramos o nascimento do nosso redentor com festa nas quais Ele se manifesta… com festas nas quais Ele se dá a conhecer como salvador esperado e universal… assim no domingo passado celebramos a Epifania de Jesus… a manifestação do Menino Deus aos Magos e figurados neles a manifestação de Jesus a todos os homens e povos. Na segunda-feira passada celebramos o Baptismo de Jesus… outra manifestação! Toda a Trindade se manifesta nesse momento… o Pai com voz forte proclama que aquele que se encontrava nas águas do Jordão era o seu Filho muito amado no qual Ele colocará todo o enlevo… ao mesmo tempo que o Espírito Santo descia do céu na forma visível de uma pomba.

Terminadas estas festas especiais ligadas ainda ao mistério do nascimento do menino Deus voltamos ao designado tempo comum. Tempo este assim designado  não porque seja um tempo sem importância e não se celebre nada de especial mas por neste tempo celebramos o ministério comum de Jesus Cristo… no tempo comum celebramos também a manifestação de Jesus Cristo na sua vida pública ao longo de três anos…

Celebramos hoje o segundo domingo deste tempo comum (o primeiro domingo corresponde habitualmente ao domingo em que celebramos a Festa do Baptismo do Senhor este ano vivido na segunda feira) e hoje o tema central das leituras é o tema da vocação. Escutamos na primeira leitura o relato do chamamento de Samuel e no Evangelho o relato do chamamento dos primeiros discípulos. E hoje proponho que meditássemos um pouco sobre as etapas de uma vocação, tema este bem explorado pelas leituras nomeadamente pela primeira e pelo Evangelho:

Em primeiro lugar Deus chama de uma forma mais ou menos directa, servindo-se normalmente de intermediários, que podem ser pessoas ou acontecimentos.

No caso que ouvimos relatado no Evangelho o intermediário da vocação dos Apóstolos é João Baptista que aponta a Jesus como “Cordeiro de Deus”.

É Deus que toma sempre a iniciativa num itinerário vocacional … Foi Ele que nos chamou à vida foi Ele que nos deu os dons suficientes para nos realizarmos… É Ele que continuamente nos auxilia e acompanha nas nossas decisões diárias. Importante será descobrirmos esta presença amorosa e diária de Deus em nossas vida e nas nossas opções. O Deus em quem acreditamos é um Deus sempre presente e actuante em nossas vidas…

Uma vocação resume-se à busca pessoal da felicidade e realização integral do homem… foi para isso que Deus nos chamou à vida – a nossa vocação é à felicidade… Todo o homem é chamado a buscar esta felicidade! É importante descobrir os momentos e as pessoas onde Deus actua para nos ajudar a alcançar esta felicidade e esta realização pessoal.

Assim como os discípulos souberam escutar e seguir a indicação de felicidade que João Baptista lhes indicava e assim como Samuel soube ser fiel ao que o Sacerdote do templo lhe indicou estejamos nós também sempre atentos à presença de Deus nos outros. A forma mais habitual de Deus hoje se manifestar é certamente no nosso próximo e nos acontecimentos simples do quotidiano.

Deus está no próximo que nos ajuda e aconselha… Deus está naquele que é exemplo para nós de bondade e amor ao próximo… Deus está à nossa volta que consigamos sentir a sua presença.

O segundo aspecto de uma vocação é a resposta mais ou menos generosa do homem a esta interpelação divina à felicidade… Deus chama mas espera do homem uma resposta positiva… Deus não obriga nem força ninguém a seguir um caminho que não lhe agrada… Só é feliz quem arriscar responder positivamente ao desafio de Cristo de seguir os seus ensinamentos.

 No caso do chamamento dos Apóstolos que escutamos no Evangelho, eles são para nós exemplo de entrega sem medo à proposta divina de seguimento… Os Apóstolos sentiram que só ao lado daquele mestre estariam plenamente felizes e realizados…

No caso de Samuel que escutamos na primeira leitura a resposta à interpelação divina foi mais difícil de interpretar e aceitar… Só à quarta tentativa Deus foi reconhecido por Samuel que lhe responde “Falai Senhor que o vosso servo escuta”.

É muito importante que nós cristãos consigamos cada vez com maior eficácia reconhecer qual a vontade de Deus para nós… de forma a conseguirmos cumprir generosamente a sua vontade que é de certo o único caminho para a nossa realização e felicidade… cumprir a vontade de Deus é ser feliz é sentir-se realizado…

A terceira característica que normalmente acompanha uma vocação é que aquele que se sente chamado tende a chamar outros de modo a que eles sintam a mesma alegria que ele sente… Escutamos no Evangelho o que aconteceu com André… depois de conhecer a Jesus, André não se conteve e foi chamar outros amigos seus para conhecerem aquela pessoa tão especial…

Todos estamos vocacionados à fé em Cristo… todos acreditamos que é Cristo que nos conduz à Salvação… todos acreditamos que só em Cristo encontramos a felicidade autêntica… por isso como André sintamos esta necessidade de partilhar esta certeza que é Jesus Cristo a todos os homens. Que nenhum Cristão guarde para si a sua fé… a fé deve ser recebida como um dom gratuito de Deus que devemos partilhar com os irmãos… Que nós cristãos nos sintamos responsáveis por construir um mundo mais santo e justo. Que partilhemos com todos os homens a nossa alegria por termos encontrado Cristo nas nossas vidas…

Esta é a nossa missão… esta é a nossa vocação… mostrar ao mundo, por palavras e por obras, que encontramos um sentido para as nossas vidas… que é a mensagem de Jesus Cristo.

A quarta característica de uma vocação é o facto de Deus confirmar essa mesma vocação… Reparas-te com certeza que Jesus no Evangelho “ fitou os olhos em Simão e mudou-lhe o nome para Pedro”… Sem a ajuda de Deus e só com nossas forças nada poderemos fazer com verdadeiro valor… Qualquer vocação exige esta confirmação… esta bênção de Deus…

Jesus no Evangelho “fitou em Simão os olhos”… este fitar os olhos significa este encontro pessoal e intimo que é necessário ter com este Jesus… Poderemos perguntar-nos… já alguma vez me encontrei a sério com o Senhor?… já alguma vez parei para verdadeiramente sentir a sua presença amorosa na minha vida?… alguma vez me senti verdadeiramente filho de Deus?… alguma vez me senti colocado face a face com este Deus que por amor me criou e que tudo o que pretende é ver-me feliz e realizado…? (r)

Todos fomos chamados à vida, todos fomos chamados a ser Cristãos, a ser apóstolos deste Cristo que tudo gratuitamente nos deu… porque será que cada vez há menos vocações de consagração para o sacerdócio e para a vida religiosa? Porque será que os jovens já não colocam hoje esse caminho como proposta de felicidade e realização plena para a sua vida!

Será necessário repensar em que consiste verdadeiramente esta alegria e esta vocação à felicidade… Num tempo em que tudo é tão efémero… num tempo em que a fama é perseguida como única fonte de realização nós somos convidados a ser diferentes… somos convidados as sermos testemunhas de Jesus Cristo única fonte verdadeira paz e felicidade integral para todo o género humano.

Que todos nós cristãos consigamos ser verdadeiramente pessoas vocacionadas… pessoas que buscam a partir de Cristo o sitio, a forma e o estado onde melhor se realizam e onde mais felizes se sentem.

Que Jesus abençoe todas as vocações consagradas…

Que Jesus abençoe todos os que pelo matrimónio buscam esta mesma felicidade. Que assim seja!

 

IIIº Comum - B

Categoria: Para cada domingo Publicado em Sábado, 21 Janeiro 2012 17:16 António Martins
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Estamos a viver o III domingo do tempo comum e hoje as leituras apresentam-nos diversos temas que poderíamos aproveitar para esta nossa meditação.

Vamos apenas retirar uma ideia de cada uma das leituras que escutamos: Assim, na 1ª leitura escutamos a pregação de Jonas dirigida à cidade de Ninive.

Conheceis muito bem esta história… Deus escolhe Jonas para ir pregar o arrependimento e a conversão a uma terra estrangeira, a uma terra tradicionalmente inimiga de Israel. Este profeta não queria ir mas acabou por ceder à vontade de Deus e foi pregar à Assíria - a Ninive, a destruição desta cidade dentro de 40 dias. O que aconteceu foi que os habitantes desta cidade levaram muito a sério a ameaça da destruição da cidade e fizeram penitência e por isso Deus perdoou e não destruiu a cidade (para desconsolo de Jonas que julgava que iria assistir a um grande espectáculo que seria a destruição desta cidade).

Poderemos perguntar-nos sobre qual será o sentido deste texto?

Esta passagem foi escrita depois do povo de Israel ter regressado do exílio da Babilónia, que durara 70 anos. O povo encontrava-se excessivamente fechado num nacionalismo exagerado. Pensavam que Deus era só deles.

O Livro de Jonas vem dizer o contrário: Deus e a Sua Salvação são universais, não tem fronteiras. Aquele que acredita e abandona o pecado já faz parte do povo de Deus. Foi o que aconteceu com os ninivitas.

Esta passagem pretende mostrar ao povo eleito que a misericórdia de Deus não tem fronteiras… Por isso envia um profeta a uma terra estrangeira pedindo a conversão e a prática do bem. Os habitantes de Ninive, certamente tocados pela presença de Deus acreditaram na mensagem deste profeta e nem a discutem sequer … prontamente se dispõem a fazer penitência para que Deus lhes perdoe os seus pecados e erros. Por causa desta atitude Deus perdoa-lhes e desiste do castigo com que os ameaçara.

Esta história pretende mostrar ao Povo Bíblico, ao Povo eleito que Deus não faz acepção de pessoas… Esta história pretende mostrar ao Povo de Israel que os estrangeiros estão muitas vezes mais abertos a escutar a mensagem que Deus confia aos seus profetas que o próprio povo eleito.

Aconteceu o mesmo com Jesus alguns séculos mais tarde… os seus conterrâneos e os seus contemporâneos recusaram-se a prestar atenção e a dar valor à sua pregação… por isso a sua mensagem espalhou-se e teve maior aceitação entre os estrangeiros que não pertenciam ao Povo eleito por Deus.

            O Povo da cidade de Ninive não conhecia o Deus que Jonas lhes pregava, no entanto, reconheceram os seus erros e fizeram penitência e por isso Deus usou com eles de misericórdia.

            Fica este desafio para nós que somos o Novo Povo de Deus… que jamais deixemos de escutar a voz de Deus que se manifesta de muitos modos… Que a acção de Deus seja mais fácil em nós que já o conhecemos que naqueles que ainda não o conhecem… As vezes parece que Deus actua mais facilmente naqueles que não o conhecem que naqueles que dizem ser seus filhos… por isso que jamais nos recusemos a escutar a vontade de Deus que no nosso coração e na nossa consciência ressoa… Que consigamos reconhecer a voz de Deus no próximo e naqueles que procuram, na sua humildade e por vezes pouco saber, explicar e actualizar a Palavra de Deus.

           

Na 2ª leitura, S. Paulo escrevendo aos Coríntios, alerta-os para a necessidade de aproveitar bem o tempo porque o cenário deste mundo é passageiro e o tempo é breve… São estas as expressões que utiliza o apóstolo para sensibilizar esta comunidade que vivia numa situação as vezes bastante dúbia… vivia rodeada do paganismo e muitas vezes vivia à semelhança dos seus vizinhos.

            Paulo alerta esta comunidade para a necessidade de se empenhar sempre e continuamente em santificar o tempo pois a vida é breve e deve ser vivida constante e continuamente em busca de uma maior santidade e perfeição. O Fundamental, ensina o Apóstolo é vivermos desapegados das coisas e dos interesses do mundo.

            A isto deveremos também nós aspirar sempre.

Como popularmente se diz “esta vida são dois dias… e um deles ainda o passamos a dormir!” Deveremos por isso nós também tomar muito a sério esta advertência de S. Paulo à comunidade dos Coríntios e por eles a nós! A vida é breve e não deixemos para amanha a conversão do nosso coração. Cada dia deve ser aproveitado plenamente buscando e suspirando continuamente a uma maior santidade e por isso uma maior união a Deus…r

Também nalgumas regiões se diz que “Deus nos deu o tempo de graça e nós insistimos em vende-lo”- Tantas vezes dizemos que nem temos tempo para rezar ou para participar nos sacramentos… O tempo é breve- diz-nos S. Paulo, no entanto é suficiente e 24 horas por dia é tempo mais que suficiente para fazer tudo e encontrar algum tempo para a oração… para o encontro pessoal com o nosso Deus… Que jamais nos deixemos enganar com o “não tenho tempo…” Há tempo para tudo e não acredito que uma hora por semana ocupada na eucaristia e meia hora diária de oração impeçam assim tantas actividades.

A vida é breve, valerá a pena andar a correr tanto? Valerá a pena tantas zangas por ninharias? Valerá a pena viver em conflito?

Se a vida é breve deve ser aproveitada para praticar o bem… deve ser aproveitada para realizar obras que nos dignifiquem quando a Deus tivermos de prestar contas… Deve ser aproveitada para ser feliz e realizar-nos pessoal e comunitariamente! r

 

Apenas só mais uma breve ideia do Evangelho. Na sequência do que escutamos no domingo passado, escutamos o chamamento de alguns discípulos… Aparece Jesus a pregar a Boa Nova de Deus e a convidar-nos a acreditar nessa mensagem do Reino.

Para que este reino aconteça nas pessoas é preciso converter-se (mudar de mentalidade e de vida) e aceitar o convite de Jesus, como fizeram os discípulos. Implica, portanto, uma adesão total a Jesus Cristo e à sua Palavra. Com Ele começa uma nova era, o tempo de Igreja em que a salvação nos é oferecida.

Aceitemos este convite de Jesus e não deixemos para amanha a nossa conversão a este reino e a esta mensagem. Ser cristão significa arriscar seguir Cristo confiando apenas na nossa fé… mas temos a certeza que só esta mensagem, que os discípulos prontamente se dispuseram a seguir, nos fará felizes e pessoas realizadas.

O tempo é breve apressemos a nossa conversão como os habitantes de ninive… Cristo chama-nos a sermos suas testemunhas… confiemos na sua Palavra e pratiquemos sempre o que a sua mensagem nos exige. Que assim seja.

Epifânia

Categoria: Para cada domingo Publicado em Sábado, 07 Janeiro 2012 11:14 António Martins
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Vieram de Longe… caminharam imenso para ver o salvador

A festa da Epifânia, popularmente conhecida por “festa dos Reis Magos” já é celebrada na Igreja desde o século IV e o tema central desta festa é a manifestação de Cristo como luz e salvação para todos os homens. A visita dos magos ao menino Deus nascido num presépio simboliza a abertura da Salvação a todos os Homens.

As três leituras que escutamos referem-se à Universalidade da Salvação de Deus.

A visão luminosa do profeta Isaías que escutamos na 1ª leitura realiza-se na pessoa dos magos, que guiados por uma estrela, encontram o rei dos Judeus adoram-n O e oferecem-lhe presentes (foi a passagem que escutamos no Evangelho) e assim se realiza e revela o projecto Salvador de Deus para todos os povos e não apenas para o povo Judeu – a que se referia S. Paulo na 2ª leitura que escutamos.

Com a visita dos magos (pessoas estranhas ao povo Judeu) Cristo manifesta-se a toda a humanidade mostrando-nos assim que a sua mensagem é para todos os homens… Todos somos a partir da encarnação de Cristo Povo eleito de Deus.

Meditemos um pouco na Palavra de Deus que acabamos de ouvir proclamar.

Assim, na primeira leitura, escutamos uma passagem do chamado tradicionalmente de terceiro livro de Isaías. Esta passagem que escutamos terá sido escrita perto do fim do exílio da Babilónia ou logo a seguir ao regresso dos exilados a Jerusalém em meados do século VI antes de Cristo.

No meio das dificuldades decorrentes da repatriação o profeta Isaías anuncia um oráculo jubiloso, e anuncia uma futura manifestação de Deus e expressa-a com as imagens da luz, do amanhecer. Esse que iria nascer atrairia a Jerusalém todos os povos da Terra. Esta profecia jubilosa pretende animar… dar alento ao povo que se encontrava de novo na terra de seus pais mas agora sem nada organizado… neste momento mais difícil da vida do povo o profeta procura incutir confiança e esperança em Deus que se manifestará um dia plenamente como uma luz para toda a humanidade.

O Evangelho, como é habitual na nossa liturgia, vem na mesma linha de ideias da profecia que escutamos na primeira leitura.

A passagem do Evangelho de Mateus, mais que fazer história, pretende fazer Teologia ou catequese. Toda a narração desta visita dos Magos vindos do Oriente é para nos dizer que estes são os primeiros entre os povos pagãos a adorar o Messias.

A narração não é muito detalhada. Não diz a data nem o número de magos, nem indica precisamente qual a origem destes reis ou sábios. Fala apenas de “uns magos”, de “uma estrela” e da entrevista que estes tiveram com Herodes.

O que interessa ao Evangelista é mostrar que não são os Israelitas, que vêm de longe para se prostrarem diante do menino Deus. Os magos têm a certeza de que nasceu Aquele que era esperado e aceitam pela fé, a revelação de Deus sobre o seu Messias Jesus e adoram-no como tal.

No Oriente, de onde estes magos seriam originários, ninguém ia visitar o rei ou alguém importante, não ia de mãos vazias… oferecia-lhe algum presente.

Assim também os magos ofereceram dos seus tesouros: Ouro, incenso e mirra. E sabeis qual o sentido que tradicionalmente damos a estas ofertas dos magos ao menino. O ouro simboliza a realeza de Cristo… o ouro oferecia-se aos reis! O incenso simboliza a divindade do menino… o incenso oferece-se a Deus! A mirra simboliza a humanidade de Cristo… e mirra servia para embalsamar os corpos quando alguém morria. O menino que os magos vinham visitar é um rei, é um Deus e ao mesmo tempo é também homem.

Os magos quiseram colocar-se a caminho. Quiseram deixar para trás as suas vidas, os seus tesouros, as suas obrigações e partiram rumo ao desconhecido procurando o tesouro maior… Desinstalaram-se e seguindo apenas o sinal da estrela  encontraram o Salvador, o messias esperado.

O menino Deus revela-se em primeiro lugar aos pastores (aos mais humildes e simples do povo) e depois manifesta-se a estrangeiros. Logo no nascimento o messias esperado revela-se como o Deus daqueles que o buscam e não o Deus dos instalados e auto suficientes.

Quando apareceu uma estrela no céu, os magos seguiram-na. Estavam atentos aos sinais e preparados/dispostos a colocarem-se a caminho; estavam pouco apegados às suas coisas e imediatamente buscaram o messias esperado.

Os magos sabiam exactamente aquilo que queriam e isso falta-nos a nós. Saber exactamente aquilo que queremos. Dizemos ter fé, dizemos querer estar com Deus e sabemos que ele é o caminho mais autêntico a seguir… Mas não estamos atentos aos sinais, voltamos costas àquilo que exige de nós algum esforço e desinstalação…  Habitualmente andamos distraídos com pequenas coisas que nos afastam do essencial, que nos afastam do caminho que a estrela aponta e deseja que sigamos.

Deveríamos ser uns para os outros a estrela que aponta o verdadeiro caminho. Deveríamos sentir que Deus é para nós esta estrela maior que ilumina a nossa escuridão e nos coloca em contacto com o melhor de nós próprios.

Queixamo-nos habitualmente demasiado dos túneis escuros da nossa vida. Queixamo-nos demasiado das nossas dificuldades e limitações e não estamos atentos para seguir a luz da estrela que é o menino do presépio.

Demasiadas vezes andamos sem rumo. Procuramos Deus e buscamos a sua paz em todo o lado… mas habitualmente seguimos estrelas que nos despistam do verdadeiro caminho que produzem alegria imediata mas apenas nos conduzem ao desassossego e vazio interior.

Só o menino do presépio nos promete e pode dar a felicidade plena e duradoura. Só o menino do presépio consegue encher todos os nossos vazios e inquietações de sentido e paz.

Os magos foram tão rápidos, vencendo dúvidas e fracassos, até encontrar Maria com o menino nos braços. Que também nós Cristãos, consigamos deixar para trás tudo o que nos prende e nos rouba a felicidade de nos sentirmos livres na contemplação do menino Deus.

Neste dia dos Reis pedimos ao menino Jesus que faça de todos e cada um de nós estrelas para aproximar de Deus os irmãos. Que consigamos sempre despistar todos os Herodes que querem retirar Deus das nossas vidas.

Que consigamos estar atentos e não tenhamos medo de nos desinstalarmos para nos aproximarmos de Deus que nos consola, transfigura, entusiasma e veio ao nosso encontro para ficar para sempre connosco!

Bom e feliz 2012 para todos.

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