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XXXIIIº domingo - A minha partilha

Estamos nos últimos domingos do ano litúrgico. Em breve iniciaremos o Advento tempo de preparação para o Natal e com esta celebração iniciaremos um novo ano pastoral… um novo ciclo anual litúrgico.

Nestes últimos domingos do ano litúrgico as leituras falam-nos muito do fim dos tempos e da necessidade de estar vigilante para podermos prestar contas ao autor de todas as coisas. A parábola dos talentos que escutámos no Evangelho fala disto mesmo.

Os talentos, mais que simples qualidades ou capacidades, simbolizam todos os bens e riquezas que Jesus nos deixou em herança para que os façamos frutificar. E a herança de Jesus é um tesouro valiosíssimo.

Jesus deixou-nos em herança inúmeros dons e talentos:

- Deixou-nos a sua Palavra, expressa no Evangelho; para conhecermos a sua vontade.

- O batismo, que nos faz Filhos de Deus

- a oração do Pai Nosso que nos motiva a viver como irmãos

- Deixou nos o sacramento da reconciliação para sentir que podemos sempre voltar a sentir o abraço do Pai

- Deixou nos ainda a Eucaristia como alimento para o nosso caminho quotidiano.

Este é o tesouro que Jesus, antes de subir ao Céu, quis e quer deixar aos seus amigos. A todos nós. Este tesouro, de valor incalculável multiplica-se quando é doado, investido e compartilhado com todos.

A parábola dos talentos insiste na atitude com que acolhemos ou valorizamos os dons que recebemos de Deus. Que destino damos aos talentos recebidos? Multiplicamo-los, partilhamo-los com os outros ou paralisados pelo medo congelamo-los, escondemo-los e guardamo-los só para nós.

Na parábola fala-se daquele servo a quem foi apenas confiado um talento. Pensava ele que seria fiel ao seu senhor se fosse conservador… se ficasse longe de todo o tipo de riscos. Por isso de forma rígida e cómoda guardou bem o seu talento.

A verdadeira fidelidade a Deus não se vive a partir da passividade e da inércia, mas da vitalidade e risco de quem procura escutar hoje a vontade de Deus.

A mensagem de Jesus é clara: não ao conservadorismo…sim à criatividade! Não á obsessão pela segurança, sim ao esforço arriscado de transformar o mundo. Não á fé enterrada, envergonhada e conformada, sim ao seguimento alegre e comprometido de Jesus.

Bem sei que é muito mais cómodo não se comprometer com nada… habitualmente os compromissos tanto na igreja como na vida social ou cultural tornam a nossa vida mais presa e fazem-nos desinstalar… Mas a vida sem colocar a render os dons e talentos que temos torna-se estéril, pequena e sem horizonte. Por isso não podemos congelar a nossa fé… não a podemos deixar cristalizar no tempo. (isto aplica-se de forma especial às nossas comunidades cristãs… todos se escondem para que não se lembrem deles na altura de ir à frente ou ajudar ainda mais! Parece que ninguém quer ser capaz de colocar a render os seus dons e talentos).

A tarefa e a missão da Igreja não é conservar o passado. A igreja tem de ser prudente, fiel ao que a história quis ensinar mas também tem de ser essencialmente audaz, capaz de arriscar e, fiel as interpelações do espírito santo, buscar de forma criativa os caminhos mais validos para promover o encontro de cada homem com Deus.

Temos de vencer a tentação de viver com medo pois a fé pede-nos a ousadia de querer sempre ir mais longe no serviço ao próximo e no amor a Deus.

Neste fim de semana em que terminamos a semana de oração pelos seminário pedimos ao Senhor da messe que não faltem jovens corajosos e generosos. Que não tenham receio de colocar os seus dons ao serviço de Deus na Igreja. E, se só tiverem um talento, que ainda assim o coloquem a render porque Deus não escolhe os preparados… capacita os escolhidos!

Neste XXXIII domingo do tempo comum procuremos sentir que Deus em Jesus Cristo nos deixou um tesouro a cada um de nós.

Só Deus sabe o que deu a cada um de nós, as capacidades que temos de pôr a render ao serviço dos outros sentido que temos a obrigação de sermos úteis e originais em cada momento da nossa existência.

Deus convida-nos a colocar a render “com taxa elevada” o melhor de nós mesmos e motiva-nos a realizar em plenitude o nosso ser. Temos obrigação de nos comprometermos com o que gratuitamente recebemos. Na Igreja e na vida social temos a obrigação de colocar a render o melhor de nós próprios para bem de todos. Se não o fazemos estamos a ser cobardes e instalados demasiado no nosso egoísmo a nossa vida será estéril e vazia.

Senhor Jesus

Criaste-nos irrepetíveis

Fizeste maravilhas em nós,

Mas, inseguros e medrosos

Deitámos fora o projecto que somos

… arrumámo-lo num canto sem o abrir!

 

Terminamos a vida com páginas por estrear

Conformamo-nos com a mediocridade

Ficamos tranquilos numa vida sem sentido.

Senhor Jesus, tu continuas à espera que consigamos ser aquilo que sonhaste para nós

Que a nossa vida seja vivida em plenitude.

 

Ajuda-nos bom Pai do Céu

A multiplicar as nossas capacidades

Impele-nos a caminhar contigo e para ti

A encher o mundo do teu amor.

 

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