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VIIº B- Partilha

 

VIIº Comum B – Fé, humilde, valentia e criatividade

 

 

 

Neste domingo escutámos no Evangelho um relato curioso. Quatro homens sobem a um telhado… carregando um paralítico para que este, chegando junto de Jesus pudesse ser curado.

 

Contexto: Voltamos a Cafarnaum, a cidade situada na margem do Lago de Tiberíades. Entramos, numa secção do Evangelho de Marcos onde os gestos de Jesus já não provocam apenas assombro e admiração, mas também repulsa e conflito com as autoridades do tempo. Começa a desenhar-se o conflito decisivo que vai levar Jesus à cruz.

 

Jesus Cura o paralítico e mostra assim que é “medico verdadeiro” do corpo (físico) e da alma porque perdoa os pecados… 

 

 

 

1.  Quem são os actores?  

 

Um paralítico e quatro voluntários, Jesus, alguns escribas e a multidão.

 

a)   um paralítico transportado por quatro homens”. O paralítico, personagem anónimo e sem voz, é o protótipo da invalidez, do homem que não pode mover-se por si mesmo e que não tem liberdade de acção.

 

b)  Desde que entram em cena, o paralítico e os que o transportam apresentam-se como uma equipa inseparável, como peças de uma única máquina. Os que transportam o paralítico, têm como único traço característico serem “quatro”. Este dado, à primeira vista supérfluo, é importante: o “quatro” é um número carregado de simbolismo, que representa os quatro pontos cardeais e, em consequência, o mundo e a humanidade inteira.

 

É uma humanidade passiva e marcada por um mal que lhe rouba a vida e que lhe impede a liberdade (paralítico); e é uma humanidade activa, que não se conforma com o mal que a impede de ser livre e que busca ansiosamente a salvação (os quatro que transportam o paralítico).

 

c)  Jesus: Procurado, contestado e admirado!

 

d)  Alguns escribas: contestam a autoridade de Jesus para perdoar os pecados;

 

e)  A multidão: ora impede o acesso a Jesus, ora o admira e louva.

 

 

 

2.  O que é que impressiona Jesus?  

 

A fé daquela gente.

 

Quatro homens, quatro atitudes: fé, humildade, valentia e criatividade? Que mais me surpreende?

 

 

Precisamos de um pouco de tudo.

 

1- Precisamos de fé. Como aqueles Homens acreditamos que Deus tudo pode e por isso Jesus pode curar mesmo. Precisamos de fé verdadeira que há de dar a confiança suficiente para vencer as inquietações e dificuldades que possam ir surgindo no nosso caminho. Precisamos ter fé verdadeira para continuar sempre a esperar por dias melhores e para confiar sempre que Jesus tudo pode fazer curar.

 

2- Precisamos de humildade. Como aqueles Homens que vencendo a oposição da multidão que bloqueava o acesso a Jesus eles foram humildes e sem pedir nada (sem dizerem uma única palavra) continuam a procurar a salvação de Jesus. A cura daquele doente.

 

Ontem como hoje a multidão continua a impedir o acesso a Jesus. Parece que falar de Jesus é algo errado e não pode estar disponível a todos. Parece que a multidão continua ainda hoje a impedir o acesso de todos a Jesus condenando a mensagem de Jesus ao silencio ou quando muito reservada apenas a alguns.

 

3- Precisamos de valentia. Aqueles homens perante as dificuldades foram valentes e subiram ao telhado. Sem medo tudo fizeram para livrar da doença o amigo que transportavam. Cada vez mais precisamos de ser valentes! A vida é muito dura para quem é mole…Temos de ser audazes, lutadores e nunca desistir de buscar o melhor possível.

 

4- Precisamos de criatividade. Não lembraria a ninguém subir ao telhado e descer depois o doente para o meio da casa junto de Jesus. Precisamos de rasgos de criatividade para que a fé se continue a apresentar como novidade eterna. Precisamos na Igreja e na vida social de pessoas que sejam capazes de transmitir renovada alegria com gestos novos e motivadores para que continuemos a acreditar em dias melhores e mais solidários.

 

 

A vida é fugaz e breve. Recebemo-la como dom divino que agora temos de administrar. Deve a vida medir-se não pelos anos que passam mas pela intensidade com que se partilha este tempo que Deus por amor nos quis dar. A vida vale de certo pelos gestos de fé, humildade, valentia e criatividade. A vida vale pela confiança (fé) que depositamos em Deus e uns nos outros… pela humildade com que nos relacionamos uns com os outros, pela valentia com que enfrentamos as dificuldades e ajudamos os irmãos a vencer as suas dificuldades e pela criatividade, pela busca de novidade que a vida terá de constantemente proporcionar-nos.

 

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