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Santíssima Trindade

1. Estamos hoje a celebrar, de modo especial, o mistério da Santíssima Trindade. Não se trata de uma fórmula matemática, para resolver ou decifrar o enigma de Deus. Não. Trata-se de um mistério de amor, divino e pessoal: o amor dado no Pai, acolhido no Filho e comunicado pelo Espírito Santo. Este amor, pessoal, imenso e eterno, ao mesmo tempo que nos alcança, também nos ultrapassa, porque Deus é sempre maior que o nosso coração e não cabe, de todo, na nossa “cabeça”.

2. É o próprio Deus, que se nos vai revelando, que se vai manifestando, que nos vai falando, sobretudo na vida e na história. O Povo diz que “Deus escreve direito por linhas tortas”. Isto é, nós podemos captar os sinais e a mensagem de Deus, a sua palavra de amor, ao longo do nosso caminho, ao longo da nossa história, em toda a nossa peregrinação sobre a terra. Os livros da Bíblia não são mais que um olhar de fé, sobre o que Deus disse, por meio de tudo o que realizou em nosso favor!

3. Por isso mesmo, Moisés convidava-nos a lembrar a história do amor de Deus por nós: o Deus Criador do Céu e da Terra é também o Deus libertador do seu Povo. O Deus Altíssimo é também o Deus que nos fala ao coração, que desce até junto do Seu Povo. Moisés lembra que Deus formou um Povo, para poder manifestar todo o seu amor por nós. Lembra-nos que libertou este Povo e o fez viver maravilhas inesquecíveis. E assim podemos concluir: o Deus Criador é o Deus do Amor, é o Deus Libertador, é o Deus que está connosco, desde sempre e para sempre.

4. E este Deus, quis aproximar-se tanto de nós, que nos enviou o seu Filho. E no Filho Jesus descobrimos afinal que este Deus Criador é também Pai, o Pai que, no seu Filho, nos ama e alcança a todos como filhos. Afinal, o Deus do princípio, é também o Deus de agora e é o Deus de sempre, o Deus que está connosco, o Deus que Se fez Homem em Jesus de Nazaré. E por isso, este Deus não é um Deus do passado, mas um Deus sempre presente. Ele está sempre connosco. Ele constrói a sua história de amor connosco, todos os dias, até ao fim dos tempos. Isso mesmo nos garantiu Jesus: “Eu estou sempre convosco até ao fim dos tempos”.

5. Por isso, é que, no seu Amor por nós, o Pai e o Filho, nos dão a nós o Espírito Santo. E deste modo, sabemos que nunca mais estamos sós. Não caminhamos sozinhos, nem caminhamos para o nada ou para o abismo. Ele está connosco e até ao fim dos tempos. A história do seu amor por nós tem, de certeza, um final feliz, um fim que ainda não atingimos, um fim, por que ainda esperamos, até que Ele venha e possamos todos contemplar os novos céus e a nova terra. Os novos céus, não são estes céus, que vemos, mais ou menos nebulados. Sabemos que o seu Reino não se encontra em nenhum território deste mundo: O novo céu e a nova terra, a terra prometida e o céu esperado, é o próprio Deus, no seu mistério de amor. “O seu reino está presente onde Deus é amado e onde o seu amor nos alcança” (Spe Salvi, 31). Portanto, só Deus é a nossa Terra prometida. E só nEle está o fundamento da nossa esperança.

6. Vamos entregar-vos, por isso, uma âncora, símbolo da esperança. Na verdade, no meio das tempestades e dificuldades do caminho, é a esperança que nos permite encontrar um ponto de apoio, firme, para chegar ao trono ou ao coração de Deus (cf. Spe Salvi, 37). Somente o seu amor, nos dá a possibilidade de perseverar, dia após dia, sem perder o ardor da esperança. É Deus a meta da nossa esperança! E a esperança é a verdadeira âncora do coração, que nos fará subir e chegar até Deus. Ele é a nossa origem e a nossa Pátria definitiva.

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